Bagunça nos cinemas, por CARLOS ARANHA*
Foi pelo Twitter da revista “Cenário Cultural” que tomei conhecimento de que vem crescendo feito bolo a bagunça nos cinemas da cidade. No sábado passado, um casal amigo meu quase sai de uma das sessões de “Shrek – Para sempre” porque um grupo com cerca de 15 pessoas passou mais da metade da exibição usando celular em voz alta e perturbando propositalmente a platéia. Não estavam ali para ver o filme, mas para ser um filme de mau gosto em paralelo.
Quando vamos ao cinema – geralmente, eu e familiares -, temos, cada um, o cuidado de desligar nossos celulares. Afinal, qualquer chamada ou mensagem fica registrada para ser conferida, assim que a sessão acaba. Não inventaram o celular para que fosse transformado em compulsão particular ou neurose pública. Em ambientes fechados e civilizados – onde há filmes, shows, palestras, recitais, peças de teatro, etc. -, o uso do celular é de uma má educação igual à dos trogloditas modernos que param seus carros na praia e montam paredões sonoros com músicas que bem traduzem a sua ignorância: do “Rebolation” a Aviões do Forró.
É natural e saudável nos cinemas quando a platéia gargalha a valer com Jim Carrey ou emite exclamações de susto com filmes de terror ou suspense e até bate palmas para alguma performance de Michael Jackson no documentário “This is it”. Afora isso, qualquer coisa é bagunça – jamais, diversão.
Li em minha “time line” do Twitter duas ou três mensagens contrárias à opinião manifestada através da “Cenário Cultural” defendendo a liberdade da pessoa se manifestar num cinema de acordo com sua personalidade, pois paga ingresso. Nada disso. O cinema é uma diversão pública. Como tal, seu uso é compartilhado, o que leva a regras naturais, onde a educação deve ser predominante.
Os donos das salas de exibição precisam tomar providências. Assim como liberdade não é libertinagem, diversão não é esculhambação.
Texto originalmente publicado na coluna Essas Coisas, do Caderno 2 (Jornal Correio da Paraíba, quinta-feira, 15 de julho de 2010).