Ainda sobre “Quem Quer Ser um Milionário?”

Os favelados indianos são melhores que os nossos?

“Procure em todo canto do globo e você não irá encontrar pessoas mais complexas – e complexadas que os indianos. Sem ironia, uma nação – formada por muitos cidadãos que empilharam reclamações e ações judiciais contra ‘Quem Quer Ser um Milionário?’ por mostrar a Índia de forma negativa e por usar a intolerável palavra “cachorro” (’dog’, do título original ‘Slumdog Millionaire’) para descrever os pobres favelados – está agora em estado de euforia por ter ganho oito estatuetas conferidas por uma ‘academia’ que considera como ícones um bando de cientologistas (sem falar no Mickey Rourke).”

(…)

“Quando o mesmo filme, com o mesmo título neo-imperialista, é festejado por americanos de smoking em uma premiação assistida no mundo todo, os indianos explodem de orgulho. Oito Oscars, yes! Não é um recorde? A.R. Rahman não é o melhor compositor do mundo? Bollywood não é mesmo maravilhosa? E nossas favelas não são uma lição sobre como superar a adversidade e a crueldade? Os nossos favelados estóicos, resistentes, auto-confiantes, corajosos, fraternais, decididos e criativos? Nossos favelados não são melhores do que os outros?”

A água no chope do Oscar para “Quem Quer Ser um Milionário?” vem do indiano Tunku Varadarajan, professor da New York University e editor da revista conservadora “Forbes”, no “Times” de Londres. De cara, parece uma opinião um tanto ressentida, ainda mais na ressaca da premiação do filme de Danny Boyle. Mas convenhamos: alguém precisava desmentir a balela dessa ideia de um Oscar multicultural. Realmente é estranho: os ingleses fazem um filme mostrando os indianos – literalmente – na merda; os indianos ficam putos; daí os americanos dão um punhado de estatuetas para os ingleses; os indianos ficam felizes. E o pior é que eu acho que a reação no Brasil seria igual se o filme fosse sobre os nossos favelados.

RICARDO CALIL EM SEU BLOG

Ricardo Oliveira

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